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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Carinhos na barriga e mordidinhas no dedão

Estou nesse exato momento sentada ao lado de um certo ser, que devora alegremente sua ração como se fizesse isso todos os dias de sua vida. Mas não faz. Pitucha, em seus completos nove anos de vida canina, deu mais trabalho para comer do que uma criança da propaganda Biotonico Fontora. Essa sua falta de apetite fez com que, ao longo dos anos, minha cadelinha Dashund recebesse mais atenção especial do que a própria Lassie em seus tempos dourados. E preocupação também. É só ela recusar seu pote de ração que já está eu e minha mãe, ajoelhadas, implorando para que ela engula um pouco de pão com leite. É um drama real.

Toda a minha família decidiu adotar pitucha como a cadela completamente anormal, fresca, irritante, com manias imprevisíveis, destruidora de paredes, e que usa camas como toaletes como a cadela merecedora de ser amada loucamente. E assim foi feito. Até os parentes que tinha uma grande aversão contra animais foram ‘adestrados’ por pitucha. Meu tio foi o caso mais interessante. Até hoje ele não tem tolerância á nenhum cão. Mas é só Pitucha chegar em sua casa, empurrando sua porta com o focinho longo típico da raça Dashund, que ele declara com uma alegria de quem foi completamente desarmado diante de toda uma família amante de cães: “Ê, narigueta chegou.” Razoável, pelo menos para quem nunca deixou nenhum dos três filhos ter um animalzinho.

Mas nem tudo são flores na relação família – Pitucha. Quando meu pai chegou em casa e encontrou as paredes do nosso novo apartamento destruídas por certos dentinhos, não foi realmente com alegria que ele reagiu quando foi recebido pelas famosas mordidinhas no dedão do pé. Foi mais com um desejo incontrolável de chutá-la para longe. Pelo menos até ela se deitar de barriga, com aquele olhar castanho claro de quem precisa desesperadamente de um agrado. Quem resiste?

E quando ela mastigou o elefante de brinquedo do meu primo de quatro anos há alguns meses, não foi com muito amor que ele a tratou depois disso. E os vizinhos também não gostavam muito das longas horas de latidos enquanto não havia ninguém em casa. Mas não há jeito. Por mais que seja destrutiva e antipática, Pitucha nos lembra dia após dia do quanto é importante estarmos juntos, cada vez mais. Sendo uma criatura que odeia ficar sozinha, ela já chegou a se cortar na lâmina do boxe, no qual ela estava numa tentativa desesperada da nossa família para que ela não destruísse o resto da casa. Em vão, logicamente.

Mesmo com suas atitudes irracionais e suas greves de fome, Pitucha, sozinha, ganhou o amor eterno de uma família. Ora sendo a companhia em uma noite em que todos estão fora, ora a alegria da festa quando alguém derruba um pedaço de bolo, ou até mesmo fazendo todos rirem enquanto tenta perseguir aquele siri na praia, mergulhando a cara na água e espirrando muito depois disso. É como eu disse à alguns dias atrás, Pitucha tem tantos donos quanto se é possível. E os tornam, todos, irremediavelmente mais felizes, principalmente depois de uma boa mordida no dedão ou um carinho na barriga, características que fizeram a diferença no dia em que a trouxemos para casa, há longos nove anos atrás.



Amanda Sartório


Comentários no blogger

ahh, Helena porque não manda sua historia??? *---*

Juliana | 14-02-2009 10:55:03

Oi Lari, Obrigada pela visita e pelo comentário. Adotei ano passado uma cadelinha bichon frisé de 10 anos. A senhora faleceu e a família queria se "desfazer" da pobrezinha como se fosse uma roupa velha o..O) Agora ela vive comigo muito feliz, se acostumou com a minha outra (uma puguinha) chamada Alice, as duas ficaram ótimas companheiras. Mas logo no princípio, ela tb não queria comer nada por causa da depressão que sentiu de saudades. Eu tb implorava para ela comer, mas o vet disse para deixar, pois eles ficam bem até 3 dias sem comer nada. Assim fiz, não insisti mais, e aos poucos ela voltou a comer e muito bem. De repente, vc pode tentar uma tática dessas. Vou linkar seu blog no meu. Bjszzzz

Helena | Email | Homepage | 04-02-2009 22:34:36

Lari, o selo está no meu blog, você salva a imagem e depois posta ai!^^ O hotel de gelo realmente é demais!! :)

mariana | Email | Homepage | 04-02-2009 13:21:08

Parabéns pelo seu blog. Também tenho cães e respeito qualquer tipo de animal. Adoro visitar blogs que respeitam os animais também. bjzzz

Helena | Email | Homepage | 03-02-2009 20:52:45

Um comentário:

  1. Amor canino... Não sei nem se os seres humanos amam de verdade ou se é apenas uma questão neuroquimica.Veja as doenças neuroquimicas,o Alzeimer,as demencias...Tenho dois cães e os amo, porem fico pensando,será que é afeto o que eles tem por mim? Se ponho o dedo na boca eles ficam desesperados achando que é comida... Me seguem por todo lado, mas acho que é só instinto. De sobrevivencia é claro, afinal sou eu quem os alimenta... sei lá, mesmo assim, prefiro pensar que é amor...canino

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