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quinta-feira, 17 de junho de 2010

São apenas sete meses e cinco dias mas parece que são séculos. Um novo ser, pequeno e indefeso surgiu em minha vida e a mudou para sempre. Desde que me conheço por gente, eu queria um cachorrinho, mas minha mãe - não sei como - não podia nem pensar na ideia que já me reprimia. Quando eu e meu pai implorávamos, ela logo dizia: 'Ou sou eu ou o cachorro' e ai da gente se dissesse o cachorro. Há uns nove meses, depois de muita insistência, ela em seu estado de bom humor começou a tocar no assunto, falando que poderia pensar nisso e tudo mais. Porém passaram-se semanas e isso foi logo esquecido.
No dia 12/11/2009, fui para a casa de Lari - sim, a dona do blog - estudar física, pois era véspera da prova, que era a última do ano. Em meio ao nosso estudo, falamos muito sobre cachorro, eu brincava com a sua Belinha e me queixava porque não podia ter uma também. Lari me contava sobre como era ter um cachorro e me falava que um dia eu ia ter o meu - no caso, minha. Depois de muito estudar e conversar, estávamos já cansadas e eu liguei para minha mãe. Ela me disse para subir para a frente do condomínio que ela já estava chegando. Me despedi de Lari e da sua pequena Belinha e fui para o local combinado. Cinco, dez, quinze minutos e minha mãe não chegava. Após meia hora, liguei para ela, já irritada e ela explicou que já estava perto.
Cinco minutos depois, um palio cinza conhecido foi se aproximando e eu fiquei aliviada. Entrei no carro aborrecida e de cara amarrada, não percebendo que tinha alguém no banco de carona.
- Oi filha, como foi o estudo? Olha, vamos ali na Caixa - Econômica Federal, onde minha mãe trabalha - rapidinho, deixar Silvinha lá, viu?
Apenas acenei a cabeça, ficando mais aborrecida ainda, pois o que mais queria era ir para casa e descansar.
- Olha Mel, a cadelinha de Silvinha, não é linda? - Minha mãe continuou, na sua tentativa de puxar assunto, levando toda a minha atenção para uma pequena bola de pêlo, que estava no colo de Silvinha, que até então eu não havia percebido.
Fiquei radiante com a beleza da pequena shitzu, que tinha apenas dois meses e a tomei em meu colo. Ela olhava para mim com aquele olhar doce de 'cão sem dono', e foi calmamente se aninhando em meu colo.
- Não é linda? - Perguntou minha mãe.
Disse um 'sim' rápido, ainda mostrando que não estava feliz com o atraso.
- E se eu disser que ela é sua?
Paralisei. Com certeza isso não seria uma brincadeira. Minha mãe sabia o quanto eu desejava um cachorro e não iria me iludir de tal maneira.
- Para de brincadeira, mãe. - Falei rindo, com lágrimas nos olhos, já deixando o aborrecimento de lado.
- Não to brincando, ela é sua! - Minha mãe confirmou rindo, aquela alegria de mãe ao ver a alegria do filho. - Olhe aí debaixo do banco, tem os pratinhos de ração e água e a ração dela. Eu nem ia te falar agora, mas você chegou tão tristinha. - Ela continuou.
Eu estava tão feliz que lágrimas discretas caíram do meu rosto. Era uma felicidade tão intensa que nem tive reação. Após alguns minutos falando o quanto eu estava feliz e tudo mais, liguei para uma amiga, aquela que me lembrei no mesmo instante, a primeira a saber que eu tinha finalmente ganhado um cachorrinho: Larissa.

[...]

Pois é, o presente mais lindo que Deus me deu. O seu nome - que levou dias para ser escolhido - ficou Lua. A pequenina dos olhos grandes foi realmente um presente. Foi dado por Silvinha para minha mãe e sabe como? O dono da mãe dela vendeu os filhotinhos e ela foi comprada - custou mil e duzentos reais!! - por um moço que vivia em uma casa, daquelas que não tem muros que ficam em condomínios. Ela quase foi
atropelada duas vezes e o moço a devolveu, e nem pediu dinheiro de volta. O dono da mãe dela, que a recebeu de braços abertos, não podia ficar com ela, pois já tinha outra e não queria vender de novo. Então, ele deu para sua amiga, Silvinha, que também já tinha um cachorro e alguns gatinhos. Ela, que ouviu minha mãe falar que estava pensando em me dar um cachorrinho, insistiu muito e acabou convencendo minha mãe a levar a pequena bola de pêlos. Realmente... Deus escreve certo por linhas tortas.

[...]

Hoje minha pequena Lua tem nove meses. Não dá trabalho para nada, aprendeu rapidinho o lugar para as necessidades, não late quase nunca, não morde. A única coisa que tem problema é a comida. Ela dá muito trabalho para comer a sua ração, mas está sempre atrás de um pão ou fruta. É uma das únicas ocasiões que ela late. Ela não destruiu móveis, nunca incomodou vizinhos e nem faz xixi ou cocô em lugares errados - no máximo, no quarto ou na sala, mas nunca em cima de camas ou sofá. E, por ironia do destino, hoje minha mãe é louca por ela, faz todas as vontades, coloca para dormir na cama dos meus pais - olha que antes minha mãe nem tocava em cachorro -, dá comida na boca, compra vários mimos.
E rapidamente, Lua conquistou todos da família e pretende fazer isso ainda por muitos e muitos anos...


Camila Ribeiro

Um comentário:

  1. Larissa, tem selinho pra vc lá no Dias de Cão... jurava que já tinha postado um comentário aqui, mas o blogspot anda meio maluco!... beijinho

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